beta nasceu em setembro de
1980, numa clínica em botafogo - como tantos outros cariocas.
cresceu montando castelinhos na areia da praia do leblon, e
brincando com saleiros e paliteiros vermelhos e amarelos em
bares da ataulfo enquanto seus pais bebemoravam vitórias do
flamengo.
morava em são conrado mas não se entendia bem com o bairro.
na infância falava pouco, teve poucos mas queridos amigos e se
alimentava de muita imaginação.
teve uma pré-adolescência esquisita, e gostava de cole porter,
pavarotti, samba, pagode e funk ao mesmo tempo.
logo depois, numa tentativa idiota de se encaixar, inventou de
ser patricinha, não deu muito certo.
aos 17 foi para a itália passar um tempo sozinha, se apaixonou e
voltou ao rio com o coração partido.
cismou de europa numa teimosia cega. teve sorte e pôde viajar
muito.
passou pela fase londres, no amor por meninos roqueiros e tempo
chuvoso, e uma fase paris, encantada com a indiferença e riqueza
cultural daquela cidade. mas até hoje nada superou seu amor por
roma, com seus ares atemporais, ruas cheias de história, cheiro
de pedra, e colo de mãe.
foi morar em ipanema.
aos poucos o seu amor pelo rio foi renascendo. começou nas
pedras portuguesas, continuou no fascínio pelas árvores de
galhos tortos da prudente, e chegou ao clímax quando voltou ao
mar.
agora se diz e se vê apaixonada por esta cidade. não sabe
sambar, mas finge que sabe.
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foto:
João Pedro Caleiro |